Cozinha Paraense - Conheça a Obra-Prima das delícias da Amazônia

Que a culinária paraense é de uma originalidade inigualável ninguém tem dúvida. A diversidade de ingredientes e sabores não encontra paralelo em lugar nenhum do mundo. A autenticidade dos pratos da cozinha paraense é incontestável. Desvendar os mistérios dessa gastronomia e conhecê-la a fundo é uma missão e tanto. O visitante que chega ao Pará encontra em cada uma das 6 regiões turísticas do estado (Belém, Amazônia Atlântica, Araguaia Tocantins, Tapajós e Xingu) diversos traços da herança deixada por índios, brancos e negros nas iguarias locais, sejam elas de complexo preparos como a maniçoba ou do mais simples formato feito os peixes que proliferam nos rios amazônicos.

 

ALGUMAS DICAS DA GASTRONOMIA DO PARÁ

Maniçoba – Alimento tradicional, herdado da culinária afro-portuguesa, na complexldade de seu preparo.Tudo faz crer,que as cozinhelras negras, mestiças de branco com índia, mulatas ou curibocas, conheciam ou aprenderam a manipulação da maniçoba. O Pará se destaca com este prato feito das folhas mais novas da mandioca ou da macaxeira (manivas), socadas no pilão ou agora passadas em máquinas de moer carnes, sem o sumo, utilizando-se a massa esverdeada que vai ao fogo, sem sal, apenas com o toucinho fresco. Ficando a ferver por dois a três dias, até tomar cor escura, gordurosa e compacta. Acrescentam-se então, vários complementos que podem ser grossos pedaços de charque, chispas, língua de vaca defumada, mocotó, tripa grossa, chouriço defumado e toucinho curado, entre outros. A operação exige um conhecimento especial, dado os temperos utilizados, como cebolas picadas, alho amassado, folhas de louro, pimenta-do-reino e cominho, e sobreturo, o sal. A maniçoba é servida em pratos fundos, com arroz branco e farinha d’água especial e molho apimentado. Nos mercados públicos e feiras de Belém, vendem-se pratos de maniçoba para comer na hora.

Tacacá - É uma iguaria da região amazônica brasileira. Preparado com um caldo fino e bem temperado geralmente com sal, cebola, alho, coentro do norte, coentro e cebolinha, de cor amarelada, chamado tucupi, sobre o qual se coloca goma de tapioca. Acrescetam-se ainda camarão seco e jambu. Serve-se muito quente, temperado com pimenta, em cuias. O tucupi e a tapioca (da qual se prepara a goma), são resultados da massa ralada da mandioca que, depois de prensada para fazer farinha, resulta num líquido leitoso-amarelado. Após deixado em repouso, a tapioca fica depositada no fundo do recipiente e o tucupi na sua parte superior. Tem sua origem nos indígenas paraenses.

Arroz de Pato - Com o tucupi, é muito comum o paraense fazer também o arroz de pato, um risoto que tem na sua base o caldo do tucupi e o pato assado. Para o prato é necessário temperar o tucupi com sal, alho e pimenta do reino. Desfie a carne e reserve. Cozinhe o arroz, no caldo do tucupi e acrescente o pato quando o arroz já estiver quase no ponto. Acrescente o jambú pré-cozido a gosto. Sirva com molho de pimenta.

Caldeirada de Filhote - Um dos pratos mais tradicionais feitos à base dos frutos do rio é a caldeirada paraense. Para o preparo, usa-se geralmente a carne do peixe “filhote”, que tem esse nome, apesar de pesar até 60 quilos. O “filhote” é um peixe de pele encontrado em abundância na confluência dos grandes rios. Tem a carne branca e macia. Além do peixe cortado em pedaços, leva cebolas, tomates, pimentões, alho, batatas e ovos cozidos. É servido com um pirão de farinha feito com o caldo do próprio cozimento dos ingredientes. A caldeirada é servida em uma panela de barro, acompanhada de arroz branco.

Pirarucu no leite de coco - As posta ressecadas do pirarucu, após ficarem de molho durante algum tempo para a retirada do sal, são cozinhadas em leite de coco (usa- se também o leite de Castanha-do-Pará). Como acompanhamento arroz branco e farinha-d'água.

Bolinho de Piracuí - O pescado na Amazônia é praticamente todo aproveitado pelos moradores da região. É comum, principalmente no oeste do Pará, a confecção da farinha de peixe ou piracuí. Iguaria obtida da moagem do peixe seco, principalmente de piraíbas e piraras, peixes de grande porte dos rios da Amazônia, de carne consistente e fácil manejo.A farinha pronta é usada no preparo de várias receitas regionais. Entre as mais conhecidas está o bolinho de piracuí.

O prato é feito a partir de um pirê de batata, legumes, como cebola, alho, tomate, alfavaca, chicória, salsa e coentro, picados, azeite português, ovos e a farinha de peixe. A massa é mistura com as mãos e os bolinhos, depois de fritos, devem ser servidos quentes.

Peixe Moqueado - Essa receita, criada pelos índios, até hoje é executada pelos pescadores da região amazônica, pela facilidade em se conseguir o produto e de não necessitar de fogão e nem de apetrechos especiais para o preparo.O peixe é assado no “moquém”, uma grelha com varas armadas sobre um braseiro de chão, que dá nome ao prato. O segredo é deixar a grelha a um metro do fogo. E não ter pressa. Já que o peixe temperado apenas com sal e limão deve levar até 3 horas cozinhando. O nativo paraense come a iguaria com a mão, retirando os pedaços e polvilhando sobre eles sal, limão e pimenta. Para acompanhar,farinha d’água.

Tapioquinha - Tem presença garantida no café do paraense. É feita da goma (polvilho bem branquinho obtido com a decantação da mandioca ralada), levemente umedecida. Uma certa quantidade é espalhada na frigideira bem quente e daí se obtém uma panqueca, que é recheada principalmente por manteiga, coco ou queijo. Há também a versão molhada com o leite de coco.

Pupunha - No café da manhã do paraense, ainda é muito comum encontrar-se a pupunha. É o fruto pequeno e arredondado de uma palmeira farta na região, que também fornece um palmito especial. Possui uma variedade de tamanhos, texturas e cores: amarelas, verdes, laranjas ou vermelhas. Comem-se cozidas, acompanhadas de açúcar, mel de abelhas ou mel de cana-de-açúcar, de café puro ou café com leite.

Bata no liquidificador a polpa congelada, açúcar, creme de leite em caixa e sal.Reserve. À parte prepare uma gelatina em pó vermelha sem sabor, acrescente à mistura e bata novamente. Transfira a mistura para uma tigela, adicione farinha de tapioca e misture até ficar homogêneo. Despeje em uma fôrma umedecida e leve à geladeira por 3 horas ou até ficar firme. Sirva salpicado com a farinha de tapioca.