Centro Cultural dos Povos da Amazônia

LEGADO DE UMA EXPOSIÇÃO PERMANENTE DA AMAZÔNIA PARA GERAÇÕES FUTURAS

Fruto de pesquisas incansáveis desde o século 19, quando a Amazônia passou a ser vista como cenário de conhecimento da humanidade e por isso necessitava ser pesquisada minuciosamente e preservada, o Centro Cultural dos Povos da Amazônia, inaugurado em maio de 2007, é um espaço aberto, onde são valorizados e divulgados estudos sérios, feitas por estudiosos renomados, sobre os países da Amazônia Continental: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa.

É uma autêntica janela aberta para a natureza, descortinando a vida e o cotidiano de povos indígenas, através de imagens do repórter fotográfico Roberto Santos, da equipe da revista Via Amazônia. Uma viagem pelo imaginário e desconhecido cotidiano   de quem vive em contato direto com a energia da natureza no Paraíso Verde.

Instalado em um prédio que apesar da arquitetura que mescla o moderno design e funcionalidade plena, o Centro Cultural preza por abrigar comodamente o homem amazônico e seu habitat natural. Conheça um pouco dessa magia que é agrupado em um espaço magnificamente projetado e devidamente climatizado, o Centro Cultural dos Povos da Amazônia.

Logo na entrada, o visitante tem contato com uma casa de caboclo, feita em madeira, simples, mas bem cuidada, mostrando uma mulher acariciando em seus braços uma criança, além dos utensílios usados no dia-a-dia; dos pratos de esmalte até a espingarda usada para caçar o alimento de cada dia. Não poderia faltar o pequeno barco que serve para comércio estilo “regatão” e também como transporte do povo que habita o planeta Amazônia.

MUSEU DO HOMEM DO NORTE - UM ESPAÇO ONDE USOS E COSTUMES DA AMAZÔNIA TEM LUGAR PRIVILEGIADO

O Museu do Homem do Norte foi inaugurado em 13 de março de 1985, em Manaus, pela Fundação Joaquim Nabuco e hoje está no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA). O objetivo, na época da criação, era de um museu que pudesse refletir a cultura do homem do norte à maneira do então já existente em Recife, o Museu do Homem do Nordeste, com ideais de museu antropológico e didático inspirado nas obras do sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre.  Para a sua fundação, também contou com o apoio de empresas privadas, da Universidade Federal do Amazonas - UFAM, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, e do governo do Estado.                   

O Museu, depois de inaugurado passou a executar suas atividades numa edificação de época localizada na Avenida sete de setembro no Centro, que abrigava anteriormente o Corpo de Bombeiros de Manaus.

O acervo, inicialmente, foi constituído por produtos regionais, como o guaraná, a borracha, a castanha, a juta, a madeira; por uma casa de farinha; e por setores regionais de mineração, pesca, alimentação, medicina popular, artesanato, arte popular e folclore. Também foi incorporada a coleção etnográfica de Noel Nutels, médico e sanitarista que se dedicou à questão da saúde indígena no Parque do Xingu. Depois, por comodato, foi adquirida a coleção indígena da FUNAI, composta por artefatos domésticos e de ritual, como cestarias, cerâmicas, adornos corporais e máscaras e objetos de rituais. As outras peças encontradas no acervo são de fragmentos arqueológicos, bolo de índio, pontas de lança e machados.

Em julho de 2006, por contrato de comodato, a administração do museu foi repassada à prefeitura de Manaus, através da Secretaria Municipal de Cultura (SEMC), responsável na época pela política municipal de cultura. No entanto, objetivando obras no prédio, o museu foi fechado no dia 14 novembro de 2006, permanecendo assim, até 15 maio de 2008, quando então foi reinaugurado em novo endereço, num prédio histórico reformado e alugado pela prefeitura na Avenida Quintino Bocaúva, Centro.

No começo do ano de 2009, já na gestão do novo prefeito, por carência de equipe de trabalho e por dificuldades econômicas, de segurança e principalmente administrativas, o museu inicialmente foi fechado. Depois de um tempo, reaberto ao público com horário de atendimento reduzido, até que encerrou suas atividades, por volta do começo do segundo semestre do respectivo ano, apesar do contrato de comodato ainda estar em vigor. Em julho de 2010, o referido contrato expirou, não havendo interesse de prorrogação por parte da prefeitura. O governo do Estado, por contrato de comodato, pegou a administração do museu e hoje está no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA) na responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Houve a solenidade de reabertura no dia 29 de setembro de 2011, sendo sua abertura ao público em geral somente a partir de 16 de novembro daquele ano.

O FOLCLORE TRADICIONAL E A FESTA DOS BOIS DE PARINTINS CAPRICHOSO E GARANTIDO

É a maior expressão folclórica da Amazônia originária do Maranhão. Tem na ilha Tupi-Nambarana, Parintins, seu expoente maior, com disputa dos bois Garantido e Caprichoso. A origem do bumba-meu-boi é comumente atribuída aos países da língua Espanhola, onde era usado com o nome de “vaca loca e toro candil”. Foi trazida para o Brasil pelos imigrantes, os bois Corre Campo e o Gitano eram os mais conhecidos. Hoje, os bois Garantido e Caprichoso são as maiores atrações da festa maior do folclore amazonense, realizado em Parintins.

Foi em Parintins que o Boi Bumbá se transformou mesmo. Transformou-se para melhor, enriqueceu e criou identidade própria. Criou uma mensagem nova que se espalha por todo o baixo e médio Amazonas, Barreirinha , Itacoatiara, Urucuritiba,, Santarém, e outras cidades estão fazendo seus festivais, sempre inspirados no estilo Parintins.

O tema é : a esposa grávida do negro Francisco, um funcionário da fazenda pecuária, tem o desejo insubstituível de comer a língua do boi preferido de seu patrão. Com medo de que a criança venha ao mundo deformada, Pai Francisco sucumbe a vontade da mulher, Mãe Catirina, e mata o boi. Irado o amo manda índios atrás de Pai Francisco para captura-lo. Com a ajuda do pajé e suas forças mágicas, Pai Francisco consegue ressuscitar o boi. Notadamente a presença da tese da ressurreição ensinada pelos jesuítas, neste teatro popular. É sobre esta trama que se desenrola a apresentação dos bois. O bumba-meu-boi brasileiro não tem taqueras ou ripas de madeira, recoberto com pano ordinário, apenas a cabaça que é uma de boi ou vaca com os respectivos chifres.

Debaixo da armação, que imita o corpo do boi, está o “tripa”, o homem que se propõe a sair com a carcaça bovina sobre a sua. Este homem tem que ser bem forte para agüentar a brincadeira.

Por diversas ocasiões, o «tripa» entrava embaixo do Boi cheio do mé, o que fazia com que em lugar de dançar, pulasse como um jegue arretado. Por essas e outras é que a estripulia do Bumbá chama a renção, não fosse as roupas coloridas. A amazônia mostra ao mundo as festas tradicionais e  demonstra preservar o folclore de raiz, sem adereços e produções multinacionais.

A música é que dá o tom ritualístico ao Festival de Parintins, no início do século quando a festa ainda tinha conotação marginal e era celebrada nas ruas, o som do boi-bumbá era produzido por batuques de tambores, repiques, caixinhas e surdos.

A Banca da Jurema expõe atrativos milagrosos para o amor

Durante o período junino, são comuns adivinhações, e as lendas que precedem esse ritual, que faz muito sucesso entre as moçoilas casadoiras e as encalhadas também. Por isso existe a Jurema, que seria uma mulher defensora dos escravos, que cuidava dos feridos e lhes dava guarita. Mito ou realidade, muitas ainda procuram a banca da jurema e seus produtos miraculosos. Como exposto no Centro Cultural dos Povos da Amazônia.

CULTURA E SABORES DA AMAZÔNIA

Uma infinidade de cores e sabores, fazem a delicia regional na Amazônia.

“Quem come jaraqui, nunca mais sai daqui”, diz o popular ditado manauara. Peixe bastante popular entre os moradores de Manaus, capital do estado do Amazonas, o jaraqui é barato, fácil e encontrar e fica muito gostoso depois de frito. Se for servido com farinha de uarini e vinagrete, melhor ainda!

A riqueza gastronômica da região amazônica está em todo canto. Em Manaus, ela está nas praias de rio, com os diversos peixes que você aprecia tomando uma deliciosa – e bem gelada – cervejinha; e nas ruas do centro, em que ambulantes vendem petiscos exóticos e sucos variados, encontrados apenas na região Norte do país.

No centro Cultural dos Povos da Amazônia, pode-se encontrar exposição com iguarias típicas, como o tacacá, a  castanha do Brasil e o guaraná, de importância econômica.

O cupuaçu, o buriti e o Tucumã, surgem como frutas excêntricas em algumas regiões, aqui são muito apreciadas, em pratos concorridos. O Jambú, e suas folhas, é usado também como analgésico em algumas tribos indígenas.

A Lenda do Guaraná

Um casal de índios pertencente a tribo Maués, vivia junto por muitos anos sem ter filhos mas desejava muito ser pais. Um dia eles pediram a Tupã para dar a eles uma criança para completar aquela felicidade. Tupã, o rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade, lhes atendeu o desejo trazendo a eles um lindo menino.

O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso e bom. No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, sentia uma extrema inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, e decidiu ceifar aquela vida em flor.

Um dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.

A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.

Os índios obedeceram aos pedidos da mãe e plantaram os olhos do menino. Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.