Galeria Olímpica

Maior acervo esportivo do mundo com mais de 70 mil peças reunido pelo historiador Roberto Gesta, exposta na Galeria Olímpica em Manaus.

“A primeira tocha dos Jogos Olímpicos modernos, fabricada em 1936, e um fragmento em calcário egípcio datado de cerca de 4200 anos A.C. fazem parte de um majestoso legado que conta a história das Olimpíadas e o desenvolvimento do desporto ao longo do tempo . A maior coleção mundial de objetos olímpicos nas mãos de um só homem, Roberto Gesta de Melo”.

 

Mais que um entusiasta do esporte olímpico e suas modalidades, Roberto Gesta de Melo entra para a história amazonense como um dos maiores colecionadores e conhecedores com foco nas modalidades do esporte, tanto a nível regional, quanto nacional e internacional.

Conforme declarou à equipe da revista Via Amazônia, tudo começou ainda em tenra idade, por influência de seu avô, Manoel Barbosa Gesta, que faleceu quando o colecionador contava apenas com 11 anos de idade, deixando como legado a paixão por colecionar peças e objetos de arte, notadamente os ligados a Olimpíadas e práticas esportivas correlatas. "Uma recordação que marcou muita minha infância: meu avô me colocava ao seu lado e, à luz de candeeiro, me explicava pormenores de sua coleção de selos e moedas do Brasil”, citou Roberto Gesta à equipe da revista Via Amazônia.

A “Galeria Olímpica” de Roberto Gesta, considerado o maior colecionador de relíquias esportivas do mundo, possui duas bibliotecas, uma em cada andar, e mais um espaço para exposições e palestras sobre esporte.

O prédio foi construído ao lado de sua casa, no condomínio Jardim das Américas, Zona Oeste de Manaus, com capacidade para receber cerca de 200 pessoas. Ele tem prazer em receber visitantes que sejam, assim como ele, apaixonados por esportes olímpicos.

“Sou um colecionador compulsivo, interessado em tudo o que envolve o esporte. O espaço estará aberto à visitação, mas com agenda prévia”, ele afirmou.

O LEGADO DA COLEÇÃO MARAVILHOSA DE ROBERTO GESTA

Como colecionador e filatelista apaixonado, Manoel Barbosa  Gesta, manteve, em sua coleção muitos selos que contavam a história dos jogos olímpicos, além de selos tradicionais simbolizando a cultura e os costumes de vários Países do mundo. “Meu avô incutiu-me, dessa maneira, o gosto pela leitura e pelo estudo da História, da Geografia, de Idiomas “, conta Roberto Gesta; “dele herdei notável patrimônio em selos, moedas e livros, núcleo inicial de meu futuro acervo”.

Aos 14 anos de idade, o colecionador Gesta se envolve em clubes acadêmicos que discutiam assuntos literatos, ao mesmo tempo em que passa a se interessar pela ampliação de sua coleção herdada do avô; “Em 1980 adquiri no Rio de Janeiro, um dos mais completos conjuntos de selos esportivos e história postal existentes à época, a nível mundial, que pertencera ao Dr. Plinio Riccardi.

Uma brilhante aquisição, que por certo deu maior visibilidade à coleção de Roberto Gesta, constava de peças extremamente raras, além de vasto material em duplicata que serviu para que ele pudesse trocar por moedas, medalhas e tochas, que ainda não constavam em sua coleção. “No mesmo ano, 1980, comprei grande parte dos itens filatélicos (selos), de Eugênio Rappaport, treinador húngaro de atletismo, premiado em exposições internacionais”, conta ele.

Buscando ecos nas nuvens do tempo, Roberto Gesta recorda que tudo começou pela paixão de colecionador, herdada do avô. “Em sua Galeria Olímpica, em Manaus, Roberto Gesta conta atualmente com cerca de 70.00 peças em sua coleção que tem destaque internacional e já foi visitada principalmente por personalidades do Atletismo nacional, entre tantos, Maurren Maggi, ouro olímpica no salto em distância, nas Olimpíadas de Pequim e Sir Sebastian Coe, ex-recordista mundial dos 800 metros, nas Olimpíadas de Moscou, atual Lorde da Câmara de Londres, Sergey Bubka e centenas de outras.

Com a mudança em breve para uma das instalações internas da  Arena da Amazônia, mais pessoas podem ter acesso a esse vasto mundo de selos, chuteiras, tochas, medalhas, simbolizando sonhos e emoções. Contando a história dos heróis, tochas, troféus registrando feitos marcantes das Olimpíadas, desde sua origem, em Olímpia, na Grécia Antiga.

Adhemar Ferreira da Silva, uma Lenda Olímpica Brasileira

Uma das instalações da Galeria Olímpica, em Manaus, é dedicada a Adhemar Ferreira da Silva, primeiro sul-americano bicampeão olímpico. O acervo da lenda olímpica brasileira, que se tornou celebridade mundial do atletismo, possui recortes de jornais, fotos e muitas medalhas, inclusive as duas de ouro conquistadas pelo atleta nos Jogos Olímpicos de Helsinque (Finlândia), em 1952, e de Melbourne (Austrália), em 1956.  Foi inventor da “volta olímpica” ao correr os 400 metros da pista para agradecer os aplausos.

Na cidade australiana, subiu novamente ao topo do pódio, com 16,35m, recorde olímpico. Esta marca agregou à sua vitoriosa carreira o carinhoso apelido de “Canguru Brasileiro”. A despedida olímpica de Adhemar aconteceu com um salto de 15,07 m, nos Jogos de Roma (Itália), em 1960, já com 33 anos.

Em dezembro de 1950, em São Paulo, Adhemar cravou seu nome de vez na história do salto triplo. Marcou 16,00 m e igualou o recorde mundial do japonês Naoto Tajima, que vigorava desde 1936. Em novembro de 1951, um dia após completar 24 anos, conseguiu a marca de 16,01 m, na pista do Fluminense, no Rio de Janeiro.

 

Adhemar Ferreira da Silva, morreu em São Paulo, em 12 de janeiro de 2001, aos 73 anos (nasceu em 29 de setembro de 1927). Antes recebeu a Ordem do Mérito Olímpico – principal condecoração oferecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) – e inúmeros títulos honoríficos em países como Finlândia, Japão, Austrália, além de entrar para o “Hall of Fame” da Federação Internacional de Atletismo.